sábado, 3 de abril de 2010

o primeiro silêncio

Confusão.
Confesso preferir a prosa, lógica rígida de divagações. Mas o que me resta é a poesia sem regras, sem sentidos.
Nela talvez eu me faça mais livre. Nela o que penso e sinto talvez se organize melhor. E se faça entender melhor. E respire melhor.
Já que agora estou sem ar.

Quero ser a confusão da rua
E o silêncio dos desenganados
Quero ser a vida breve e nua
A voz dos desesperados

Quero me perder, sonhar com Deus
Adormecer sobre a minha alma
Reconhecer a força que me acalma 
Ver, na escuridão, os olhos teus

Pois, sim, sou o que é breve
Sou sentido leve, sou sentido meu
De uma valsa triste, que recomeçou
Que me enfeitiçou e se perdeu

Minha saudade é de outro tempo
É de moleque, instante eterno
Meu coração pousa no vento:
Entre o meu céu e o teu inferno

Morre, enfim, essa lembrança
E ressuscita o que desfaz
Refaz a fé, desesperança
Que a vida encerra, mas...