domingo, 23 de maio de 2010

a falta do que sobra

De repente, eu me vi querendo encaixar todas as peças. Até aquelas que não eram minhas. Porque me incomodava que estivessem fora do lugar.
Enquanto corria para colocar os pingos nos is, não percebi que a tempestade me molhava.
Mas o que eu queria era consertar. Não me importava que a chuva fosse forte, desde que ela limpasse o que estava sujo. Desde que o vento fizesse da bagunça um suspiro.
E o mundo então seria a paisagem. Dessas que vemos da janela (de olhos bem fechados).

Agora eu me lembro.
Porque eu quis abrir a janela e ver o sol no céu, brilhando como nas fotografias. Quis ver a água no mar, sem transbordá-lo nem deixá-lo raso. Eu quis medir com as minhas medidas. Medidas postiças, que só acertam o que não existe.

Mas eu acordei a tempo.
E descobri que o mundo é torto - e esse é o seu charme.
As cores se misturando no pôr-do-sol. Essa é a beleza.
As peças procurando a si mesmas, sem saber que rumo tomar. Esse é o porquê.
Sobrando ou faltando.
Erradas.
Sem ritmo, sem com-
passo.
Existindo ou havendo.

Excesso de vida.

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