quinta-feira, 27 de maio de 2010

porque dizer é indizível

Eu, que comecei a escrever para mim mesma, talvez agora queira conversar. Perguntar e responder para o que vem de fora. Para quem vê de fora. Entender o que é além, de outro mundo. Que não o do meu silêncio em forma de palavras.

Essas que eu uso para tocar de longe, sentir sem me envolver. Morrer sem despedidas.

Porque eu uso as palavras para que deixem de ser palavras. Para que voem alto, libertem-se de um eu - que sou eu - que as domina. Para que dancem, chorem, sorriam. Sem o carrasco que as espreme, sufoca e arrasta, obcecado por que façam sentido. Como se precisassem de sentido para ser o que são. Como se sozinhas fossem vazias. E mudas.

Mas as minhas fizeram-se soltas: seguem para onde querem ir. E às vezes voltam sem pedir licença. Deitam-se, reclamam. Amam. Permanecem e mudam sem que eu saiba.

Descubro-as do avesso e aí já é tarde: disseram sem que eu pudesse impedir. Enfileiraram-se sem que eu pudesse sequer escolher qual viria antes. Falaram por si mesmas, livres e encantadas. E a mim só restou obedecer...

Entendê-las e amá-las.

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