quinta-feira, 10 de junho de 2010

a saudade que eu sinto

O tempo me roubou.

Ontem não era quarta. Mas segunda. Eu voltava de ônibus, lendo. Lia para não perder tempo. Meus olhos se fechavam, mas no meu sonho cabiam todas as páginas. Não arriscaria me perder.

Ontem era semana passada. Eu fotografava o céu, o mar. Registrava tudo para não perder nada. Cada disparo diminuía o meu medo de deixar passar.

Ontem eu fazia 15 anos. Eu corria e o mundo passava, depressa, mas a mim pouco importava se o relógio marcava dez ou meio-dia.

Ontem eu jogava bola na rua. Brincava, pulava e era a liberdade que me protegia quando eu tinha medo do escuro.

Ontem eu aprendia a andar de bicicleta. Eu caía, mas logo levantava, sem me preocupar de quantos tombos precisaria para aprender. Sem pressa, sem medo de errar.

Ontem não havia o tempo.
Porque ele era meu.
Hoje e - cada vez mais - amanhã, sinto-me comprimida.

Ontem já é daqui a dez anos.

(...) Só sei que ontem amanhece, e eu ainda estou aqui...

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