sexta-feira, 30 de julho de 2010

outra saudade

antes havia inspiração
em tudo
no vazio, no nada
na respiração

mas eu sei que agora não há mais o que implora. não há mais nada que exija palavras tão secas como as (que um dia foram) minhas. nem tão suaves como eu. agora eu não sinto mais sufocar o silêncio. sequer consigo ouvir os gritos. não preciso escrever e sentir, porque não há mais em mim aquela dor de dizer. nem de ser ouvida.

(eu, que já guardei tantos soluços debaixo do travesseiro - umas lágrimas feitas de pó. eu, que tive amor de graça e abraços para emprestar. que preferia sonhar acordada e inventar minhas próprias falas - uns diálogos mal feitos que nunca pensei encenar...

foi quando sonhei de olhos fechados
e aprendi a improvisar
um improviso borrado, cansado
que eu chamei inspiração)

depois, já se sabe: só restou uma flor. uma tal serenidade. aquela paz que eu quis cantar para nós dois: agora, nossa melodia.

porque, no fundo, eu sempre acreditei que aquela dor aflita logo se despediria.

o que não imaginava
é que a minha poesia
sentiria falta dela

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