segunda-feira, 23 de agosto de 2010

ela

Ela queria não saber para onde ir. E vagar, sem rumo, pelos próprios sonhos. Ela queria não ter as certezas que hoje gritam enquanto dorme, nem as dúvidas que silenciam enquanto está acordada. Talvez ainda tenha que reviver algumas histórias e descartar outras. Ou simplesmente escolher as dores e alegrias daqui para frente.

O espelho lhe diz que cresceu depressa. As paredes, que se esqueceu de pintá-las. Nos armários, uma vida que já não é tão sua. Na mochila, tudo o que deve ser feito, pensado, dito e vivido. Da janela, rotinas que se esbarram. Na TV, como continuar escondendo-se de si mesma.

Na gaveta, dezenas de sonhos enlatados, à espera do dia perfeito. Sobre eles, livros, horários e vazios.

Sonhos que se roubaram enquanto ela se perdia no tempo.

O mesmo tempo que a roubou.