sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

tudo o que eu queria dizer

o mundo é grande demais
e só temos a palma da mão
para tocá-lo na essência
(e na ausência)

o mundo é escuro:
reflete nossa alma

o mundo é mudo
...
e nos diz coisas
muito precisas

nas entrelinhas
nas linhas
tortas


o mundo é feito de céu
chão
pessoas
(onde?)

e sinto
que eu sou
o horizonte

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

melancolia

(porque a infância
deixou saudade

e me roubou
- pela metade)

doce dezembro

luzes de Natal
piscam lá fora
fecho os olhos
e apenas lembro

sempre uma data especial

aqui dentro
o tempo é o mesmo
a luz, igual

ainda falta muito para o meu Natal

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

depois da dor

Vazio não é ausência
Nem falta, nem escuro
Vazio não é (o) nada
É, sim, uma luz - difícil de enxergar
(mas enxergo)

E é quando me esvazio que me encontro

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

sem querer

às vezes, estar longe é estar perto. às vezes, é o silêncio que aconselha. tantas vezes ir embora é estar - e estar é despedir-se.
às vezes, me arrependo por ficar. quase sempre, por partir. às vezes choro porque amo. quase sempre, porque não sei amar.

às vezes, faz frio. mas nem sempre há quem possa me cobrir. então me despeço, vou pra longe:
onde sou, estou e fico.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

paisagem

mil janelas me vigiam
sem me ver
olhar pra fora é sentir
excesso
e falta

daqui de cima
enxergo o escuro
ouço silêncios

daqui do alto
vejo o mundo
inteiro
(e) só

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

feliz pra sempre

Viver não é simples. Dói, às vezes. Exige uma força que não temos. Faz querer sumir, esquecer, dormir pra sempre... Viver é esperar. O momento certo, a pessoa certa, o lugar certo. E errar, enquanto se espera. Viver é chorar. Sentir aquele gostinho salgado, soluçar feito criança. Mas é também sorrir que nem louca na frente do espelho. Gargalhar por coisas bobas. Amar alguém. E rir de tudo com ele. Sentir o beijo, o toque, o ar. Sonhar sem medo. (Re)viver e voar. Com as asas que se tem - quem vai notar?

Porque sofrer é um detalhe em meio à felicidade.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

utopia

às vezes ser feliz precisa ser segredo
precisa estar guardado para ser verdade
...
que a gente possa um dia sorrir e gritar
e o mundo inteiro vibre de felicidade

domingo, 18 de setembro de 2011

um pouco de nós

O homem é feito de pele. De ossos e músculos
Ele respira e pensa. Às vezes sente - o que fazer?
É uma máquina de construir (e destruir) o mundo
Renova e desfaz, sem medo ou pudor. Sem laços
Respira de novo
Cospe palavras, acumula desculpas
Trabalha, sua, cansa. Compra desejos, alimenta-se de marcas
Conquista rótulos, 'cascas'

Segue vazio

terça-feira, 13 de setembro de 2011

poesia é viver

Eu conheci uma poetisa que escrevia com a alma. Que, já bem tarde - mas a tempo de dizer tudo, coloriu um pedacinho desse mundo.
Com letras, construía sonhos. Com palavras, tocava a gente.
Um monte delas era um castelo, pra qualquer um entrar e viver.
E lá descobrir que a vida começa quando a gente quer.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

partida

a gente não é triste porque escreve sobre a tristeza
eu mesma escrevo
para
não sentir

sábado, 10 de setembro de 2011

o sabor das coisas

Hoje, 22 anos, vida corrida, tempo pra não ser, erros pra rever. Parece que a infância não volta, mas a gente sequer pensa nela. Falta tempo.
Só que eu senti voltar. Uma sensação doce, eu não pensava em nada mesmo. Quer dizer, eu apressava o que tinha que ser feito pra me sobrar tempo. E não pensar.
E foi quando eu não pensava e lia qualquer coisa depressa que eu mordi o mesmo chocolate que eu provei há muitos anos. E teve gosto de momento perfeito, de infância (e tem momento mais perfeito?).
Estranho. O sabor me fez voar no tempo e rever a mesma noite - que logo deixaria de ser perfeita. A noite do chocolate foi também da dor. Nesta noite meu avô foi para o céu. Uma noite doce e salgada (talvez estrelada, em algum lugar - mas já não importa).

Um chocolate que me dividiu em dois -
e me ensinou que há mesmo tempos que não voltam.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

por enquanto

Mudaram. As estações, as sensações.
Mudou de casa, de tapete, de livro de cabeceira. Mudou a capa da agenda, coloriu os dias. Trocou a cadeira, a cortina, o e-mail. Mudou de nome, de número, de signo. Trocou o celular, o computador. Mudou a dor. A cor.
Já estavam gastos os móveis, os tênis, os sonhos. Os cadernos estavam velhos. Os livros, empoeirados. As histórias, sem vida.
Foi quando sentiu doer o mesmo. Sempre igual. Precisava transformar. A sala de estar, o jardim, o espelho.
Precisava rever. Ver-se. As certezas, as dúvidas. A letra, quadrada demais. Os lápis, sem ponta. As canetas, sem tinta.
Faltava apontar. Pintar.
Sorrir, gritar, pular. Esquecer.
Faltava viver.
Mudar de vida.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

ponteiros

Sai semana, entra semana, nem dá tempo de piscar. Os dias sufocam, as horas engolem. Minutos existem?

O relógio da cozinha está parado há semanas.

É por ele que me guio.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011