sábado, 10 de setembro de 2011

o sabor das coisas

Hoje, 22 anos, vida corrida, tempo pra não ser, erros pra rever. Parece que a infância não volta, mas a gente sequer pensa nela. Falta tempo.
Só que eu senti voltar. Uma sensação doce, eu não pensava em nada mesmo. Quer dizer, eu apressava o que tinha que ser feito pra me sobrar tempo. E não pensar.
E foi quando eu não pensava e lia qualquer coisa depressa que eu mordi o mesmo chocolate que eu provei há muitos anos. E teve gosto de momento perfeito, de infância (e tem momento mais perfeito?).
Estranho. O sabor me fez voar no tempo e rever a mesma noite - que logo deixaria de ser perfeita. A noite do chocolate foi também da dor. Nesta noite meu avô foi para o céu. Uma noite doce e salgada (talvez estrelada, em algum lugar - mas já não importa).

Um chocolate que me dividiu em dois -
e me ensinou que há mesmo tempos que não voltam.

Nenhum comentário:

Postar um comentário