quinta-feira, 8 de setembro de 2011

por enquanto

Mudaram. As estações, as sensações.
Mudou de casa, de tapete, de livro de cabeceira. Mudou a capa da agenda, coloriu os dias. Trocou a cadeira, a cortina, o e-mail. Mudou de nome, de número, de signo. Trocou o celular, o computador. Mudou a dor. A cor.
Já estavam gastos os móveis, os tênis, os sonhos. Os cadernos estavam velhos. Os livros, empoeirados. As histórias, sem vida.
Foi quando sentiu doer o mesmo. Sempre igual. Precisava transformar. A sala de estar, o jardim, o espelho.
Precisava rever. Ver-se. As certezas, as dúvidas. A letra, quadrada demais. Os lápis, sem ponta. As canetas, sem tinta.
Faltava apontar. Pintar.
Sorrir, gritar, pular. Esquecer.
Faltava viver.
Mudar de vida.

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