sexta-feira, 11 de outubro de 2013

360 segundos

nunca me faltou tanto tempo pra respirar
nunca me faltou tanto tempo pra parar
e fechar os olhos
e em seguida abri-los diante do espelho
e nele ver o tempo passando
e nele ver o tempo passado

tempo que a gente vai deixando pelas ruas
na pressa de fazer as compras
e pagar as contas
e arrumar a sala
e arrumar a mala
e cumprir horários
e dormir exausto
pra acordar a tempo
de
talvez
abrir os olhos

na pressa do passo
que empurra pra frente
a gente tropeça
no tempo
que foi

e agora falta

é tempo de parar o tempo
e trocar os ponteiros
do relógio
sem corda
que arrebenta
(e lamenta)

as minhas horas