segunda-feira, 30 de setembro de 2013

feliz e ponto

hoje acordei com saudade da escola, de jogar pingue-pongue no recreio, de tomar banho de chuva, afundar os pés na lama, andar de bicicleta só pra sentir o vento no rosto. hoje tive saudade até do dia em que caí da árvore e cortei o joelho, tinha até que levar ponto, mas não levei, me curei sozinha. e aí bateu saudade do tempo em que se curar sozinha era isso: deixar o joelho ralado cicatrizar.

mas hoje o jogo é outro, o pingue-pongue é outro, quase um boomerang de idas e vindas. jogo novo, time novo, até a saudade tem que se renovar.

não importa o que se diga, no fundo eu sei: as regras para ser feliz continuam sendo as mesmas.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

reciclável

o resto da gente
é a única parte
em que se pode
confiar
que o pó vai ficando
colado aos pedaços
que sobram
do dia

sem jogar fora
o que não presta

resta o que sou

parte de mim
verdade inteira

perto do lago

a solidão me ensinou
a ser mais forte
a aceitar que alguns amigos
vem e vão
às vezes voltam
ao sentir que lá faz frio
ao entender que o tempo passa
a gente não

terça-feira, 24 de setembro de 2013

rima de amor

no escuro da minha alma
eu planto flores
para você colher
à luz do dia
é quando o mundo para
e eu ganho asas
é quando o nosso amor
faz poesia

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

primavera

de repente a noite é imensa
sem você
e a saudade dos seus olhos
já não basta
pra distrair os meus segundos
minhas horas
que se arrastam
até daqui a pouco

só espero que amanhã
chegue depressa
com o sol regando as flores
do quintal
e que o dia seja lindo
e faça ouvir
o meu silêncio que hoje
você canta

domingo, 22 de setembro de 2013

dois pontos

eu sou aquela
que espera
a hora certa 
de dizer

pois a hora
é agora
e o que escrevo
é pra você

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

conversa de bar

as lições de hoje
são tão lindas
que olhar pra trás
é quase um erro
mas eu olho e vejo 
que sem medo
a gente não aprende
a ter coragem

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

porque eu não sei dançar

eu escrevo pra passar a dor
e dizer que amo e repetir que sou
que sou feita de nuvens
mas que o sol
abre sempre depois da chuva

eu escrevo para entender
tudo aquilo que eu não sei ler
no silêncio dos teus olhos
e pra depois te dar um beijo doce
feito de palavras

eu escrevo porque não sei cantar
não sei pintar nem dançar tão bem
e não sei esculpir o mundo
sem você

sem você ter que ler
cada
linha

cada linha da minha alma