sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

o amor

depois de tanto amar, já não sei mais o que é o amor. se é dividir toda uma história, abraçar mesmo na dor, pedir perdão estando certo, ou pedir perdão estando errado. se é sorrir o sorriso mais doce, andar de mãos dadas na rua, sonhar com a casa dos sonhos, escrever belas cartas de amor. se é doar o que já não se tem, compreender o que nunca se soube, esperar o que nunca se quis. se é errar e voltar, se é pedir desculpas primeiro, esquecer que a razão rege o mundo, e abraçar para além dos limites. se é pedir para o outro ficar, olhar nos seus olhos, ver nele o infinito. e dizer tudo ali num silêncio que fala, sem os vícios e os pesos, tão nossos, tão cegos... porque nem todo dia faz sol. nem todo dia tem luz. nem todo dia se pensa igual, se faz amor, se acorda sorrindo, se dorme sem medo. nem todo dia se acerta, nem todo dia é feito de dois. daí o amor. essa força estranha que gosto de chamar de paz e que cura feridas que a gente nem sabia que tinha, e que tem um poder sublime e divino de fazer dos dias cinzas menos tristes, mais serenos, às vezes até coloridos. porque o amor é o que entende, o que abraça e enlaça e recria do nada um sentido maior que já nem sei se cabe no vão das palavras.