sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

o amor

depois de tanto amar, já não sei mais o que é o amor. se é dividir toda uma história, abraçar mesmo na dor, pedir perdão estando certo, ou pedir perdão estando errado. se é sorrir o sorriso mais doce, andar de mãos dadas na rua, sonhar com a casa dos sonhos, escrever belas cartas de amor. se é doar o que já não se tem, compreender o que nunca se soube, esperar o que nunca se quis. se é errar e voltar, se é pedir desculpas primeiro, esquecer que a razão rege o mundo, e abraçar para além dos limites. se é pedir para o outro ficar, olhar nos seus olhos, ver nele o infinito. e dizer tudo ali num silêncio que fala, sem os vícios e os pesos, tão nossos, tão cegos... porque nem todo dia faz sol. nem todo dia tem luz. nem todo dia se pensa igual, se faz amor, se acorda sorrindo, se dorme sem medo. nem todo dia se acerta, nem todo dia é feito de dois. daí o amor. essa força estranha que gosto de chamar de paz e que cura feridas que a gente nem sabia que tinha, e que tem um poder sublime e divino de fazer dos dias cinzas menos tristes, mais serenos, às vezes até coloridos. porque o amor é o que entende, o que abraça e enlaça e recria do nada um sentido maior que já nem sei se cabe no vão das palavras.

vozes

hoje vejo nas palavras de gente que nem sei tudo o que sinto, ou senti quando precisei partir de mim mesma. nas palavras de gente que nem sabe que leio seus medos encontrei meu refúgio e meu sossego. sossego de me sentir pertencente à mesma massa solitária e fria. sossego de me fazer igual, ainda que profundamente diferente.

prece

silencio pra te ouvir
do outro lado
desta rua que nos une
e nos afasta
e sonhar com nossas tardes
tão felizes
quando amar era sorrir
por quase nada
quando amar era
deixar a porta aberta
e dizer "dorme com Deus
minha querida"
sem ter medo de errar
e perder
de arriscar e abraçar
e entender
sem ter medo de mais nada
nessa vida

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

degrau

dei 25 passos
pra chegar 
até aqui

entre flores
mais ou menos
    coloridas

entrelinhas
a bordar
    a minha vida

entre vícios
e pedidos
    que não atendi

entre cartas
que esperei
    para ler e sorrir

entre beijos que não dei
mas guardei
    bem guardados

entre sonhos que sonhei
longe aqui
    do meu lado


    25 passos
    no breu
    novo adeus

    meu caminho
    para sempre
    iluminado