domingo, 23 de novembro de 2014

invisíveis

num mundo refeito em rede
sou fresta sou pó sou ponte
a desabar toda noite
a desabafar
dia sim
dia não

sobre essa dor de não ser
mais feito de carne e
de sonhos
sobre essa dor de se ver
sem rosto a gritar
outras vozes

sobre essa dor de entender
que daqui desse lado
de fora
falta como que um silêncio
sobra como que um excesso
num clique num sopro

num vão

– tão vazio e tão imenso
(nele cabe o mundo inteiro
espremido entre nós mesmos)
quanto a palma
da minha mão