quinta-feira, 24 de setembro de 2015

alto mar

para escrever é preciso não saber. não saber por onde seguir, nem com quantas letras construir o próprio barco. 

é preciso não saber se lá fora tem sol ou chuva ou tempestade, ou se os pingos na janela no fundo apontam algum caminho. 

para escrever é preciso não perguntar – só deixar que o silêncio responda o que ainda não é. 

é preciso não precisar, deixar-se perder na primeira esquina, para então se achar – e achar isso mágico. 

escrever é largar a própria mão, experimentar o-silêncio-da-chuva-que-não-cai-antes-das-onze/o-medo-de-não-saber-que-horas-são/e-ficar-no-escuro-até-quem-sabe-amanhã-à-tarde/ mas ainda assim dormir com as portas abertas – e os olhos fechados. 

escrever é pegar no lápis e ir seguindo, como a primeira vez que a gente andou de bicicleta. 

como a primeira vez que a gente caiu, e a única certeza era o chão. 

mas, de algum modo estranho, também o céu

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