sábado, 24 de outubro de 2015

de volta ao futuro

de tarde a gente só queria se embalar, cada um numa das redes coloridas que se equilibravam sem saber no quintal da vó e do vô. e a gente chegava pra causar rebuliço. testar as forças. esgarçar o tecido com o peso de nossas asas. denunciar os remendos com a impertinência de nossos sonhos. impossível tentar medir aquele peso de novo. que desafiava as vigas. a resistência do vento. a mãe e o pai a nos pedir que descêssemos, vem, já é hora de ir embora. um peso que não nos segurava. ao contrário: nos convidava a seguir no balanço livre, o cabelo indo e vindo numa dança louca e sem ritmo. a infância pedindo a nós que apenas fôssemos, e que fizéssemos de nossos pés molas mais potentes. o sorriso da alegria singela servindo de alavanca. as asas que assumíamos por um minuto servindo de esperança. que hoje eu sinto. leve.

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