domingo, 19 de julho de 2015

espaço

onde me
refaço
passo
de aço
que temo-atravesso
erro
o tempo
compasso
que espero
(   )
quero
ser
tudo e só
de novo
enquanto você estiver
por perto

sexta-feira, 17 de julho de 2015

interrogatório

eu só esperava ter um pouco mais de certeza
quando você me perguntasse coisas tão óbvias
como
a cor do céu quando a gente se abraça
a cor dos seus olhos no escuro do quarto
a cor da gente vendo o mundo da janela e sonhando com o dia que nasce arco-íris
mas por algum motivo que ainda não sei
cá estou eu
branca e muda
diante do espelho

quarta-feira, 8 de julho de 2015

geometria

um abraço pode ser todas as pontas
que se unem
numa casa cheinha de móveis
dourados pelo sol da tarde
que encontra no vão a passagem exata
e os embrulha
mas pode ser também dois braços
que pendem
tentando agarrar o sopro
tocar o sorriso que já não sente
nem cabe na sala de estar vazia
e escura

terça-feira, 7 de julho de 2015

andarilho

eu ando na rua
e é como se cavasse
u              o
  m         c
     b     a
       u r

cada passo
me en-
         -go-
              -le
eu e a terra

cada passo é d i  s   t    â     n      c       i        a

do horizonte
abismo
espera

escrevo

que é quando enterro
tudo isso
numa eterna
f            c            ã
      i            ç            o

esquina

o menino do cadarço frouxo
me olhou nos olhos
          como quem diz
amarra pra mim?

e eu que sou feita de laços
percebi que há nós que se
          desfazem
num sorriso