segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

prece

na hora da despedida
a gente não sabe ser
pra onde jogar os braços
nem o que vai dizer

na hora de dar adeus
a quem a gente mais ama
explode um silêncio na alma
mas é uma calma que engana

só rezo que olhes por eles
daí de onde estás neste céu
que sejas paz nas manhãs de medo
e luz nas noites de breu

domingo, 21 de fevereiro de 2016

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

via láctea

a gente se distancia
quando não há
espaço comum
quando o tempo
de um
é ontem sempre
a gente se afasta e se perde
porque também perde
a referência
de infinito

domingo, 14 de fevereiro de 2016

medidas

a minha angústia
é diretamente proporcional
à minha incapacidade de ver
quantos
pas
    sos
nos
separam
do
fu  tu     ro

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

dez pras quatro

eu sempre soube que milagres
só podem ser depois das onze
estava certa
e agora sei
que o horizonte
faz sentido

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

folia

por mim
eu usava esses dias
de sol e de sonhos
pra tentar entender
de quantos raios a gente é feito
                      até vir a chuva]
de quantos medos a gente precisa
para cruzar a ponte
que nos atravessa

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

delta-t

não pode haver momento melhor para escrever
do que agora
quando o sol já brilha de tantas maneiras
e atravessa tantas frestas
que a gente se enxerga de olhos fechados
no espelho das horas
que eu conto os segundos
de cada minuto
para caber no in-ter-va-lo
do seu
abraço

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

túnel

a gente nunca sabe de quantos vazios é feito
mas depois que escurece
e a noite esfria
dá até pra desconfiar