terça-feira, 28 de junho de 2016

estação

existem vazios que não fecham
vazios feitos de excessos
os dias nos pedindo a costurar
uma ponta à outra das certezas
que tivemos numa tarde ensolarada 
só que chove

(eu olhando 
para além do que já fui
e a mesma cena 
de quem espera a hora
certa
e perde o trem)

no vazio do tempo entre um vagão
e outro
encaro a sorte
do outro lado você quase me acenando
aflito

você quase do meu lado e eu sozinha

(o trem passa na esquina das memórias
l e n t o pede calma
que um dia-agora 
a gente vai se despedir
e nossos vãos serão de ferro 
sobre os trilhos)



          você me vê partindo de mim mesma
e acena louco
eu te assisto: não entendo por que dói
se me afasto é pra esperar um outro tempo
onde os espaços entre a gente
tenham vida

quinta-feira, 16 de junho de 2016

papel machê

as palavras denunciam quem somos
do que somos feitos
do que temos medo

as palavras nos engolem vivos 
à medida que morremos 
sem dizer (   )

que nos desfazemos 
em mil versos
pra rimar a vida