sábado, 25 de fevereiro de 2017

a liberdade de quem fica

ficar é sempre um peso. vai esgarçando por dentro e a gente sem saber como se manter sem o que foi. vai arrancando a pele, e os sentidos, e os ossos. deixa só o interior quase uma espuma. o interior do que somos e não somos. o interior feito de aço - e isopor
pois encarando o interior enxergo o mundo
olho em seus olhos e vejo todas as impossibilidades. enxergo os limites me encurtando as asas e me ponho a voar no parapeito da janela - não tenho medo de cair de poucos metros
do interior eu pego força pra limpar os vidros, pra ver um dia mais iluminado. da dor que carrego porque fico faço um castelinho com mil nomes - e o primeiro é coragem. da coragem que não tenho faço um arco-íris e me embalo no vermelho 
voo. voo. voo. carrego as asas na mochila do invisível. carrego os sonhos que esquecemos na esquina
e te espero, te espero, te espero
em algum mundo na próxima estação

2 comentários:

  1. maravilhoso! Por que você me rouba todas as palavras e todas as sentenças, deixando-me com ciúmes de sua Arte?

    ResponderExcluir
  2. olá, sarah! obrigada pelo feedback, fico feliz que tenha gostado :) um abraço!

    ResponderExcluir