terça-feira, 19 de novembro de 2013

constelação

hoje sou terra
pedaço de chão
estende
horizonte
tão lindo e tão reto

daqui vejo a lua
pontinho no céu
abraça
outros mundos
tão longe e tão perto

sábado, 16 de novembro de 2013

cristalizada

angústia é essa dor
de escrever
o que a palavra não quer dar
e guarda dentro
sob a pétala
se é flor
sob a casca
se é fruto

sob a alma
se é poeta
deste mundo

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

cada distância

teleobjetiva
é a lente
da poesia

que vê tudo
nos mínimos
detalhes
sem razão
sem
objetividade

sem medo
de ser tanta
que vazia

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

querência sempre

estar de novo em casa
me ajuda a tomar fôlego
para voltar a mergulhar
nesse oceano de perguntas
que se afogam sem respostas
entre conchas e estrelas
céu inteiro em alto mar

terça-feira, 15 de outubro de 2013

filosófica dor

eu quero um mundo sem teoria
onde as palavras signifiquem
porque são
e não por que dizem

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

360 segundos

nunca me faltou tanto tempo pra respirar
nunca me faltou tanto tempo pra parar
e fechar os olhos
e em seguida abri-los diante do espelho
e nele ver o tempo passando
e nele ver o tempo passado

tempo que a gente vai deixando pelas ruas
na pressa de fazer as compras
e pagar as contas
e arrumar a sala
e arrumar a mala
e cumprir horários
e dormir exausto
pra acordar a tempo
de
talvez
abrir os olhos

na pressa do passo
que empurra pra frente
a gente tropeça
no tempo
que foi

e agora falta

é tempo de parar o tempo
e trocar os ponteiros
do relógio
sem corda
que arrebenta
(e lamenta)

as minhas horas

terça-feira, 1 de outubro de 2013

a metade que eu vejo

conforme
deforma
o mundo

a poesia
transforma
a gente

em semente
que tudo
brota

em abraço
que tudo
sente

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

feliz e ponto

hoje acordei com saudade da escola, de jogar pingue-pongue no recreio, de tomar banho de chuva, afundar os pés na lama, andar de bicicleta só pra sentir o vento no rosto. hoje tive saudade até do dia em que caí da árvore e cortei o joelho, tinha até que levar ponto, mas não levei, me curei sozinha. e aí bateu saudade do tempo em que se curar sozinha era isso: deixar o joelho ralado cicatrizar.

mas hoje o jogo é outro, o pingue-pongue é outro, quase um boomerang de idas e vindas. jogo novo, time novo, até a saudade tem que se renovar.

não importa o que se diga, no fundo eu sei: as regras para ser feliz continuam sendo as mesmas.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

reciclável

o resto da gente
é a única parte
em que se pode
confiar
que o pó vai ficando
colado aos pedaços
que sobram
do dia

sem jogar fora
o que não presta

resta o que sou

parte de mim
verdade inteira

perto do lago

a solidão me ensinou
a ser mais forte
a aceitar que alguns amigos
vem e vão
às vezes voltam
ao sentir que lá faz frio
ao entender que o tempo passa
a gente não

terça-feira, 24 de setembro de 2013

rima de amor

no escuro da minha alma
eu planto flores
para você colher
à luz do dia
é quando o mundo para
e eu ganho asas
é quando o nosso amor
faz poesia

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

primavera

de repente a noite é imensa
sem você
e a saudade dos seus olhos
já não basta
pra distrair os meus segundos
minhas horas
que se arrastam
até daqui a pouco

só espero que amanhã
chegue depressa
com o sol regando as flores
do quintal
e que o dia seja lindo
e faça ouvir
o meu silêncio que hoje
você canta

domingo, 22 de setembro de 2013

dois pontos

eu sou aquela
que espera
a hora certa 
de dizer

pois a hora
é agora
e o que escrevo
é pra você

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

conversa de bar

as lições de hoje
são tão lindas
que olhar pra trás
é quase um erro
mas eu olho e vejo 
que sem medo
a gente não aprende
a ter coragem

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

porque eu não sei dançar

eu escrevo pra passar a dor
e dizer que amo e repetir que sou
que sou feita de nuvens
mas que o sol
abre sempre depois da chuva

eu escrevo para entender
tudo aquilo que eu não sei ler
no silêncio dos teus olhos
e pra depois te dar um beijo doce
feito de palavras

eu escrevo porque não sei cantar
não sei pintar nem dançar tão bem
e não sei esculpir o mundo
sem você

sem você ter que ler
cada
linha

cada linha da minha alma

terça-feira, 27 de agosto de 2013

travessia

chega o momento em que planejo mais que vivo
que me iludo e me arrisco
a ter certezas que não sei

chega a hora de ir embora de mim mesmo
de encontrar outro eu (mesmo?)
de brincar de ser ninguém

experimental

(porque o mundo parece tão reto
         para equilibrar o caos da minha poesia)

domingo, 18 de agosto de 2013

pôr do sol

(em branco)
meu coração busca a pena
e permanece em branco
só o tempo vai colando
vai calando tudo
desbotando a dor
redesenhando o nada
só o tempo espera
só o tempo encerra
e pinta a cor da vida
mais alaranjada

sábado, 27 de julho de 2013

biografia em quatro versos

às vezes sinto falta de mim mesma
do que fui - embora seja ainda
tão igual, entre sonhos e incertezas
e plante as mesmas flores coloridas

terça-feira, 9 de julho de 2013

identidade

preciso escrever
preciso escrever
preciso estar escrita

para me reconhecer
nesse mar de porquês
chamado vida

terça-feira, 25 de junho de 2013

entrelinha

eu quero as palavras que não cabem
que esbarram nas linhas, tropeçam nos pontos
eu quero a palavra calada, imagem
que por isso diz tudo
diz o mundo
eu quero dizer o que você já sabe
e repetir, em silêncio, meus olhos nos seus
dizer por dizer
sorrir
e, ainda que muda, ser ouvida

terça-feira, 21 de maio de 2013

apenas

a vida são escolhas
apenas

entre soprar as velas
e cortar o bolo
entre pedir o colo
e chorar num canto
entre colar na prova
e aprender de vez
pra nunca mais se esquecer

entre fingir que se esqueceu
e lembrar que não se sabe

entre ser feliz
e buscar ser

viver é escolher

viver
ou não

sábado, 18 de maio de 2013

parênteses

...
é como se
cada sirene dessas
viesse me dizer
baixinho: viva
viva, com toda
a sua alma
...

terça-feira, 7 de maio de 2013

pedra bruta

escrever é se afastar
do mundo
pra mergulhar no
próprio ser

e extrair daqui o que
esse mesmo mundo
será capaz de
entender

sábado, 27 de abril de 2013

enfim

já posso saborear o gosto
que é viver
ser

estar aqui descalço
em paz
sem motivo

olhar pra trás
ver a luz do sol
correr riscos

sentir a emoção
de respirar
o ar
de contemplar
o mar

de estar vivo

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

temporal

o tempo é sonso
e dança
gonzo
a nossa valsa

desmarca, tonto,
a hora
- de ir
embora - falsa

o tempo é verde
e brinca
de ser nunca
e sempre

de dançar
sem par,
de esperar

ninguém

que a dor
foi feita
pra passar

amém

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

24 sonhos depois

Eu quis fazer do mundo um lugar mais fácil de caminhar. E me surpreendi quando vi que as pedras brotam. Não foi simples repensar minhas razões – e emoções. Mas foi ao reconstruí-las que dei passos importantes.

Hoje entendo que andar e tropeçar fazem parte da mesma dança. Que subir e cair equilibram o universo. Que aprender e ensinar são fatias do mesmo bolo. 

Que escrever tudo isso é ter aprendido. E, de alguma forma, estar ensinando.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

santa maria

talvez precisassem
de mais anjos no céu
talvez fosse a hora
de abraçarmos a vida
talvez fosse o grito,
o silêncio, o pedido
talvez, a tristeza
abafada, espremida

talvez seja o fim
quem sabe, o começo -
pó de fé entre os nós

talvez seja o adeus
talvez seja a Deus
(estaremos sós?)

pois daqui
estremeço
sem voz