sábado, 11 de setembro de 2010

para quem entende

Hoje prefiro ficar com aquilo que eu não sei dizer.

Enfim reconhecer que as palavras nunca sabem o quanto pesam. Mesmo que eu grite ou sussurre/chore ou sorria, com toda a minha alma.
(...)

Ainda assim, só ouço o silêncio:
- Uma falta de sons que canta na minha cabeça.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

dívidas e deveres

Eu sei que devia insistir em ouvir, mesmo aquilo que me contamina. Devia estar bem informada sobre feitos e atrocidades. Devia saber os nomes dos mais importantes, dos que desfilam na TV e nos jornais. Devia acompanhar tudo o que está na rede para ser seguido/lido/rido. Devia fingir entender política, consciência social - e depois rir do que é (mal) feito. Devia escrever bem, falar melhor, sonhar cada dia menos. Executar os planos, sacrificar a vontade de simplesmente sentir o vento no rosto. Devia fazer, medir, contar, perder. E ganhar meu nome em alguma capa em preto e branco. Eu sei, sim, que eu devia servir e aceitar. Devia não ter desejos, para não atrapalhar os planos que se impuseram a mim no segundo em que me distraí. Devia ignorar que há pessoas, aqui do lado, que sequer comem, sonham, vivem... Aliás, devia esquecer que viver vai além. Esquecer que o dia nasce todas as manhãs, e torná-lo, de uma vez por todas, qualquer coisa indiferente. Devia descartar o que não presta, não encher as gavetas de papel, esvaziar a alma de dores. Devia ser outra, mais interessada, menos interessante. Mais igual no que padroniza. Mais diferente no que não importa. Mais superficial, menos sensível. Menos louca e muito, muito mais descrente.

Sei que devia ser assim. Para, quem sabe um dia, fazer parte desse mundo.