quinta-feira, 29 de setembro de 2011

feliz pra sempre

Viver não é simples. Dói, às vezes. Exige uma força que não temos. Faz querer sumir, esquecer, dormir pra sempre... Viver é esperar. O momento certo, a pessoa certa, o lugar certo. E errar, enquanto se espera. Viver é chorar. Sentir aquele gostinho salgado, soluçar feito criança. Mas é também sorrir que nem louca na frente do espelho. Gargalhar por coisas bobas. Amar alguém. E rir de tudo com ele. Sentir o beijo, o toque, o ar. Sonhar sem medo. (Re)viver e voar. Com as asas que se tem - quem vai notar?

Porque sofrer é um detalhe em meio à felicidade.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

utopia

às vezes ser feliz precisa ser segredo
precisa estar guardado para ser verdade
...
que a gente possa um dia sorrir e gritar
e o mundo inteiro vibre de felicidade

domingo, 18 de setembro de 2011

um pouco de nós

O homem é feito de pele. De ossos e músculos
Ele respira e pensa. Às vezes sente - o que fazer?
É uma máquina de construir (e destruir) o mundo
Renova e desfaz, sem medo ou pudor. Sem laços
Respira de novo
Cospe palavras, acumula desculpas
Trabalha, sua, cansa. Compra desejos, alimenta-se de marcas
Conquista rótulos, 'cascas'

Segue vazio

terça-feira, 13 de setembro de 2011

poesia é viver

Eu conheci uma poetisa que escrevia com a alma. Que, já bem tarde - mas a tempo de dizer tudo, coloriu um pedacinho desse mundo.
Com letras, construía sonhos. Com palavras, tocava a gente.
Um monte delas era um castelo, pra qualquer um entrar e viver.
E lá descobrir que a vida começa quando a gente quer.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

partida

a gente não é triste porque escreve sobre a tristeza
eu mesma escrevo
para
não sentir

sábado, 10 de setembro de 2011

o sabor das coisas

Hoje, 22 anos, vida corrida, tempo pra não ser, erros pra rever. Parece que a infância não volta, mas a gente sequer pensa nela. Falta tempo.
Só que eu senti voltar. Uma sensação doce, eu não pensava em nada mesmo. Quer dizer, eu apressava o que tinha que ser feito pra me sobrar tempo. E não pensar.
E foi quando eu não pensava e lia qualquer coisa depressa que eu mordi o mesmo chocolate que eu provei há muitos anos. E teve gosto de momento perfeito, de infância (e tem momento mais perfeito?).
Estranho. O sabor me fez voar no tempo e rever a mesma noite - que logo deixaria de ser perfeita. A noite do chocolate foi também da dor. Nesta noite meu avô foi para o céu. Uma noite doce e salgada (talvez estrelada, em algum lugar - mas já não importa).

Um chocolate que me dividiu em dois -
e me ensinou que há mesmo tempos que não voltam.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

por enquanto

Mudaram. As estações, as sensações.
Mudou de casa, de tapete, de livro de cabeceira. Mudou a capa da agenda, coloriu os dias. Trocou a cadeira, a cortina, o e-mail. Mudou de nome, de número, de signo. Trocou o celular, o computador. Mudou a dor. A cor.
Já estavam gastos os móveis, os tênis, os sonhos. Os cadernos estavam velhos. Os livros, empoeirados. As histórias, sem vida.
Foi quando sentiu doer o mesmo. Sempre igual. Precisava transformar. A sala de estar, o jardim, o espelho.
Precisava rever. Ver-se. As certezas, as dúvidas. A letra, quadrada demais. Os lápis, sem ponta. As canetas, sem tinta.
Faltava apontar. Pintar.
Sorrir, gritar, pular. Esquecer.
Faltava viver.
Mudar de vida.