terça-feira, 26 de janeiro de 2016

contra as nuvens

o buraco quando se abre
dentro
parece o fim
parece a noite de tão escuro
mas veja bem
de repente é possível ver
até o pó
dançando contra a luz
até o vão
pedindo para abrir
novos espaços
entre o que 
agora
já são dois

lua nova

fez frio e você já sabia 
de cor e salteado
onde encontrar a coberta vermelha
que é a minha preferida
porque aquece até mesmo as memórias
de um tempo que a gente não teve

a noite era feita de estrelas
e era como se eu visse
teus olhos com a mesma espessura
de novo com a mesma esperança
de voltar a ser quem se era
bem antes de qualquer inverno

domingo, 17 de janeiro de 2016

rampa

vejo o mundo torto
as cores se misturam
o azul caiu na terra 
e agora é quase um rosa
assim meio seco
como a chuva que eu 
me esqueci de molhar

a água de ontem 
eu bebi hoje cedo
e agora tenho sede

de mar 
            e arco-íris

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

dilema

(o quanto 
a gente pode ser do que não é
o quanto a gente cabe onde não há
espaço para estar nem mesmo sem
a parte que nos faz parte de nós)